Como é trabalhar com timeshare no Caribe?

Atualizado: Jul 30


Conheça as experiências de profissionais brasileiros que atuam naquele mercado de tempo compartilhado

  • Maria Laura Saraiva

Profissionais brasileiros vivendo e trabalhando no Caribe: Fernanda Silva, Camila Haido e Leandro Caldeira

O modelo de tempo compartilhado foi criado no exterior e hoje está presente na maioria dos países, em seus destinos turísticos. Assim, profissionais e empresas da área são encontradas globalmente e constituem uma rede que aproxima hóspedes de todo o mundo ao seu destino ideal.

Um dos grandes polos da indústria de timeshare no mundo é a região do Caribe, em destinos como Cancun, no México, e Punta Cana, na República Dominicana. Como esses destinos recebem turistas de várias partes do mundo, é muito comum contratarem profissionais de várias nacionalidades para captação de clientes e vendas.

A Turismo Compartilhado conversou com os profissionais brasileiros - Fernanda Silva, Camila Haido e Leandro Caldera - que atuavam no Brasil e atualmente trabalham em empresas de timeshare no Caribe, para saber como são suas vidas naqueles destinos e quais diferenças em relação ao mercado de timeshare da região e do Brasil.

Vendas são em dólar

Com a sala de vendas já aberta, Fernanda segue os protocolos de segurança


Fernanda Silva se mudou para o México em 2016, depois de receber uma proposta da Royal Holiday Club para ficar em Cancun. Ela já trabalhava com turismo compartilhado no Brasil há 14 anos e resolveu trocar a gerência do vacation club da Rede Tauá pela oportunidade no exterior. “Eu me mudei pelo desafio, ir morar em um país diferente com uma cultura nova”, diz ela. A chance veio a partir de um amigo que sabia que a Royal precisava de uma vendedora com seu perfil e resolveu indicá-la.

Hoje, atuando como closer (fechadora) no The Grand at Moon Palace, Fernanda atende em média quatro casais por dia, de cerca de 120 que entram na sala de vendas diariamente. “Atendo brasileiros e latinos, o que inclui muitos colombianos, peruanos, mexicanos, venezuelanos, cubanos e mexicanos que moram nos Estados Unidos”.

A principal diferença para a profissional são os meios de pagamento e o dólar. “No Brasil, os processos são feitos em 10x e com pagamento linear. Aqui não, nós precisamos pegar pelo menos 15% do valor total da venda já no ato. A moeda não favorece o brasileiro e isso é um ponto de dificuldade, então o público precisa ser diferenciado mesmo. É aquilo, se você gosta de uma Mercedes, precisa ter dinheiro para pagá-la”, enfatiza Fernanda.

Com a reabertura em curso desde 01 de junho, ela conta que está em uma das poucas salas de vendas abertas e que está fazendo o possível para respeitar os métodos de segurança. “Já são 18 anos no tempo compartilhado e cinco anos só aqui em Cancun. Sou muito apaixonada e detalhista no que faço. Não tive o menor problema em largar uma gerência no Brasil e vir ser closer no México”, finaliza Fernanda Silva.

Treinamentos de vendas do Brasil são os melhores

Camila realizando mais uma venda em Cancun


Camila Haido trabalhava há oito anos como gerente de vendas da Royal Holiday no Brasil quando foi chamada para ser vendedora em Cancun, no Vidanta Hotel, em 2013. ‘’Foi algo natural, eu já passava as temporadas no México e depois voltava”, relata ela.

Naquela época, várias empresas estavam interessadas nos profissionais brasileiros, que segundo a profissional, se destacam por estarem muito mais bem treinados que os demais. “O mercado aqui cresceu muito com essa levada de brasileiros que veio derivada da Royal e tiveram êxito. Hoje, a maioria dos hotéis têm a linha Brasil como uma das principais”, diz a vendedora.

A rotina de sala de vendas não varia muito da conhecida pelos brasileiros, portanto o diferencial acaba sendo o perfil do cliente. “Esse hóspede que vem para Cancun tem um perfil mais elevado e isso facilita muito as vendas. Na maioria das vezes, eles estão realizando um sonho com essa viagem e isso ajuda. Quando eu trabalhava no Brasil, os clientes não tinham a dimensão de como era uma viagem desse porte. Esses aqui já vieram e sabem que isso tudo é possível”, explica ela.

Atualmente, Camila é gerente de vendas da Unlimited Vacation Club, com a linha de vendas Brasil, atendendo principalmente brasileiros que moram no exterior e todos os outros clientes que falem a língua portuguesa, como portugueses e angolanos. “O que eu acredito é que todo o treinamento que tive com meus líderes no Brasil fizeram com que fosse uma especialista em vendas. A qualidade de treinamento aí é muito superior’, afirma a profissional.

“Apesar das diferenças culturais, existe um ponto em comum entre mexicanos e brasileiros que é bem forte, o acolhimento. É um povo que sabe receber. Eu tenho um excelente relacionamento com todos aqui, já fazem parte da minha família”, declara Camila.

Realizando o sonho de viver no exterior

Leandro aproveita a oportunidade de viver em Punta Cana


A trajetória de Leandro Caldera até se mudar para a República Dominicana em 2016 foi um pouco diferente. Trabalhando no setor administrativo e financeiro de empresas, Leandro não se encontrava mais na profissão e desejava “novos ares”. Foi quando ligou para um amigo desabafando e recebeu a proposta de ingressar na área do tempo compartilhado. “Ele me chamou para um treinamento e eu decidi aceitar. Depois que entrei no timeshare não saí mais”, relata o profissional. “Um pouco depois, uma amiga foi convidada por um colega para vir para Punta Cana e eu não! Liguei para esse amigo e falei: “se você me levar eu vou vender!’. Ele perguntou se tinha certeza e eu disse que sim. Foi quando decidi vir”.

Sonhando desde mais jovem em viver no exterior, Leandro enxergou na oportunidade uma chance de realizar esse velho sonho. ”Eu sempre fui um pouco crítico em relação ao modo de vida do Brasil, o percentual do vendedor era muito baixo e tinha muito cancelamento. Em Punta Cana tenho a chance de receber e vender em dólar. É um desafio e ao mesmo tempo uma recompensa”, salienta ele.

A rotina de atendimento, segundo o profissional, é semelhante ao Brasil, diferenciando apenas os preços, que são bem mais elevados. “Antes achava que o brasileiro não tinha dinheiro. Quando vim para cá percebi que não era bem assim. Mudou muito a minha concepção sobre o cliente do Brasil”.

Atualmente, como gerente do Hard Rock Hotel Punta Cana, da equipe do Brasil, Leandro afirma que o setor é uma das prioridades da empresa. Na sala de vendas, ele convive com dominicanos, mexicanos, franceses, canadenses, sérvios, russos, argentinos e libaneses. “Na verdade, é uma mistura de nacionalidades. Eu cheguei aqui e fui super bem recepcionado, não tenho o que falar sobre isso. A convivência com outros profissionais é perfeita”, finaliza o profissional brasileiro.

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