Como implementar os protocolos de segurança e saúde em hotéis e resorts?


Painel do FOHI 2020 debateu os desafios de conciliar custos, orçamentos e obrigação de seguir as medidas sanitárias

  • Fábio Mendonça

De cima para baixo: Maycon Gabry e Thiago Alves, da MarkWeb, Carla Trindade, Fábio Folena, Gunnar Georgi e Maria José


Os novos protocolos que os hotéis e resorts devem seguir durante o período de pandemia da Covid-19 são necessários, mas existe os desafios de implantar esses protocolos, além de gerarem mais custos. Para debater essa implantação dos processos, foi realizado o painel ‘’Novos Protocolos de Funcionamento e Como Reduzir Custos Operacionais sem Perder Qualidade nos Serviços do Hotel’’, no Fórum Online de Hotéis Independentes 2020 (FOHI), com participação de Carla Trindade, especialista em gestão operacional de governança e lavanderia hoteleira; Gunnar Georgi, consultor de negócios para hotelaria; Maria José Dantas, presidente da ABG (Associação Brasileira de Governantas); e Fábio Folena, executivo da Unilever Pro. O FOHI 2020 acontece nos dias 16, 17 e 18 de junho.


O primeiro tema debatido pelos participantes foi a necessidade de unificar os protocolos de saúde e segurança. Carla Trindade lembrou que cada cidade do país tem medidas de seguranças diferentes. ‘’O que será aplicado em um hotel não será aplicado em outro’’, explicou ela.


Gunnar Georgi concordou com esse ponto. ‘’Há a questão municipal, regional e federal. A dificuldade acaba sendo grande, pois não há um protocolo único’’, comentou o consultor de negócios. Para Fábio Folena, protocolos únicos para a hotelaria ajudaria na implementação, treinamentos e reaberturas dos hotéis e resorts.


Com o objetivo de complementar os protocolos das entidades e empresas, a ABG também desenvolveu seu próprio protocolo de saúde e segurança, com ênfase no operacional, em como implantar as medidas. ‘’Por exemplo, meu empreendimento é pequeno, isso se aplica aqui? O que preciso fazer para implantar? Como limpo tal superfície? Como isso se aplica na prática? Os outros protocolos de hotelaria não tratam essas questões com profundidade’’.


Treinamento e comunicação


De acordo com Fábio Folena, o hotel deve saber comunicar aos hóspedes os procedimentos e como está sendo realizada a higienização do empreendimento. Ele enfatizou que se os colaboradores estiverem bem treinados, eles próprios irão comunicar para os clientes os protocolos de segurança. ‘’Comunicar dará muita confiança’’.


Para Gunnar Georgi, há dois pilares para os procedimentos serem bem executados: processos bem desenhados e equipes extremamente engajadas. ‘’De nada adiantará ter bom processos se a equipe não entender o porquê deve fazer aquilo’’.


Descarte dos EPI’s


Não será apenas os resíduos comuns que os hotéis terão daqui para frente, mas também os EPI’s, como máscaras e luvas, que muitas vezes podem estar contaminados. Maria José explicou que esses equipamentos não devem ser descartados no lixo comum. Porém, a grande maioria dos hotéis não tem estrutura nem orçamento para contratar uma empresa de coleta de materiais contaminantes. A presidente da ABG sugeriu os empreendimentos terem convênios com farmácias, já que as mesmas já fazem esses descartes, ou colocar esses resíduos contaminados de quarentena, em containers diferentes dos de resíduos comuns.


Outras medidas


Carla Trindade falou que a utilização do ozônio para desinfecção ainda não está totalmente comprovada pela Anvisa, mas ela sugere utilizar o produto como complementar, em conjunto com outros produtos químicos.


Maria José enfatizou que há alguns pontos de contato que devem ter mais atenção para higienização: maçaneta das portas, controles remotos, interruptores, cardápios. ‘’Antes se realizava a limpeza dessas áreas seguindo o cronograma distribuído na semana’’. Com essa limpeza diária mais profunda dos apartamentos, a eficiência das camareiras será menor. Maria José sugeriu os hotéis simplificarem os apartamentos para facilitar a higienização, como retirar sofás, cortinas, etc.


Carla Trindade também defende que os hotéis devem tirar os sofás de circulação nesta época. ‘’Há sofás que são impermeáveis, são mais tranquilos de limpar. Mas há sofás que são mais estofados e fofinhos, que são inviáveis de limpar cada vez que alguém sentar’’.


Os enxovais dos quartos devem ser trocados sempre que os hóspedes fizerem o check-out, independente se tiverem sido utilizados ou não. ‘’Não dá para economizar neste momento’’, avaliou Carla.


Para Maria José, o custo com enxoval vai aumentar, mas os hotéis podem ter estratégias para minimizar isso, como ter uma definição mais precisa de qual apartamento colocar cada hóspede, por exemplo, não colocar um cliente que está sozinho em uma UH com duas ou mais camas.

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