Como serão projetos arquitetônicos para hotelaria no pós-pandemia?


Arquiteto Milton Filho aponta como a Covid-19 influenciará os masters plans de complexos turísticos

* Fábio Mendonça


Em um primeiro momento a Covid-19 impactou os segmentos de hotelaria e turismo com a paralização das operações, depois trazendo a necessidade de adaptação aos novos protocolos de segurança e saúde para impedir a disseminação do vírus. Passada essas etapas, com a evolução dos estudos sobre o coronavírus, já pode-se pensar o que ficará destes novos protocolos, o que será tendência, e como será o impacto da pandemia para os futuros lançamentos de hotéis, resorts e parques turísticos.


O arquiteto Milton Filho explica como que a pandemia influenciará projetos arquitetônicos para os segmentos de hotelaria e turismo. Segundo ele, novos complexos deverão buscar áreas comuns que propiciem o distanciamento natural entre as pessoas


Com mais de 10 anos de experiência em arquitetura e construção civil, Milton Filho é sócio da MFDC Arquitetura & Design, atuando com projetos para complexos turísticos, com multipropriedade, resort e parques turísticos. Ele possui MBA em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas, no segmento de turismo e hotelaria­ atuou por seis anos na Aviva Algar FLC, como coordenador de projetos, gerenciando todo o Portfólio da área de Projetos e Implantação.


Entre os seus parceiros do ramo de turismo e hotelaria, houve algum pedido ou solicitação para alterar o projeto por conta da pandemia e do chamado novo normal?


Num primeiro momento, tivemos uma desaceleração dos clientes para reflexão, por conta do lockdown no país, para ter mais conhecimentos sobre isso. Com o tempo, com o caminhar da pandemia, houve uma mudança de comportamento das pessoas. E isso se reflete, a questão do distanciamento social, as pessoas que não estão nos mesmos círculos sociais e familiares querem estar distantes das outras pessoas, em relação as áreas comuns.


Pelo comportamento de seus parceiros e também outras negociações, qual sua visão para o futuro do mercado? Poderá ter novos lançamentos de complexos turísticos em breve ou os empreendedores deverão adiar os planos?


O que o mercado indica é que no próximo semestre teremos mais lançamentos. Houve um primeiro momento de retração e agora está voltando, mesmo a distância e virtual, o mercado está retomando e está caminhando. Não é aquele normal que existia até março deste ano. Conversando com empresários, já estão em linha para fazer os lançamentos neste segundo semestre ou início de 2021.


Como que a pandemia impacta nas tendências para novos projetos hoteleiros e de parques?


O que nós temos com este novo comportamento das pessoas é uma adaptação das áreas comuns. Há as áreas das piscinas, restaurante, exercícios físicos - a tendência é que sejam em áreas mais abertas e ventiladas, que as pessoas consigam ter um distanciamento natural entre elas. Restaurantes com áreas fechadas e semiabertas, no verão e em locais com clima tropical, consegue-se trabalhar com a área aberta. Em locais de clima de inverno, ter locais semiabertos, para ir trabalhando com isso ao longo do ano.

O processo que já vínhamos trabalhando com os projetos era com a redução operacional, redução de custo de implantação e redução da manutenção, sem perder o brilho, o encantamento do cliente, a qualidade do produto, mas sempre pensando na facilidade de limpeza e manutenção. O carpete, por exemplo, não é higiênico, já era um produto que os novos empreendimentos já tinham eliminado, agora com a pandemia, ficou impensável. Cortinas com materiais laváveis e fáceis de limpeza, o que se torna fácil de higienizar. Esse pensamento que já tínhamos com limpeza, vem também com a higienização, a qualidade do material, que fica fácil de ser higienizado.

O padrão dos serviços também impacta na arquitetura. Há muito tempo já discutíamos check-in e check-out para conforto do cliente. Hoje se tornou uma real necessidade não ter uma aglomeração na recepção. Já não fazia sentido ter 50 pessoas esperando para pagar a conta do hotel, e ter 50 a 100 pessoas esperando para entrar. Uma operação imensa. A tecnologia, junto com a arquitetura vem fazendo essa mudança. Isso terá uma mudança drástica no formato das recepções.



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