Desenvolvimento de destinos turísticos, negócios e arquitetura – uma conversa com Carlos Mauad


Entrevista com o arquiteto Carlos Mauad

  • Fábio Mendonça



Com mais de 30 anos desenvolvendo projetos de resorts e parques aquáticos, o arquiteto Carlos Mauad é uma das maiores referências em formatação de master plan para o segmento de turismo e hotelaria. Alguns dos principais complexos turísticos do país foram projetados por sua equipe. Iniciando sua trajetória no Rio Quente, ainda quando se chamava Pousada do Rio Quente, em Goiás, Mauad conheceu grandes empreendimentos hoteleiros e parques em todo o mundo. ‘’Isto foi muito importante na minha formação profissional’’, declara o arquiteto.


Nesta entrevista para a Turismo Compartilhado, Carlos Mauad explica um pouco sobre desenvolvimentos de destinos turísticos e qual o papel da arquitetura no planejamento estratégico­ do negócio, que vai muita além de apenas um projeto arquitetônico, além de sua visão do segmento de hotelaria para o pós-pandemia.


Qual a sua trajetória profissional?


Quando eu estava no penúltimo ano de faculdade comecei a estagiar com Oscar Niemeyer, Rui Otake e equipe, num projeto da Prefeitura de São Paulo, chamado Parque do Tietê. Fiquei com eles por dois anos. Nessa época, a Pousada do Rio Quente (atual Rio Quente), me convidou para fazer um projeto para uma Casa de Shows no resort, o Toldo no Bosque. Na sequência vieram um monte de projetos para o Grupo Rio Quente (atualmente Aviva), sendo o mais importante a criação do Município do Rio Quente, onde meu sócio, o arquiteto Eduardo Manzano, e eu participamos desde o início elaborando Estudos Urbanos para o município.


Quais projetos desenvolvidos são os mais marcantes?


Tantos. No Rio Quente Resort, onde fiquei por mais de 20 anos e ainda continuo com projetos para a Aviva, aprendi a planejar macros empreendimentos e não pensar somente como arquiteto, mas também na relação Custo x Benefícios dos projetos e sua viabilidade econômica. Praticar o pensamento cartesiano também foi outro aprendizado muito importante na minha carreira. Coordenei e participei do plano estratégico do Grupo por quase 15 anos.


O fortalecimento do destino turístico de Olímpia/SP é outro projeto marcante. Juntamente com o Grupo Ferrasa – Complexo Hot Beach – desenvolvemos um master plan com eixos de negócios claramente definidos. A implantação de um parque aquático próprio do Grupo; o anel imobiliário de resorts ao redor deste, com condo-hotéis e multipriorpiedades, e que vem sendo consolidado com sucesso. Nesse projeto além de participar como arquiteto, elaboramos também um plano de negócios.


No Grupo Mabu (em Foz do Iguaçu/PR) também foi marcante, pois incrementamos conceitos nos negócios do Grupo, que antes era um resort com foco em convenções e voltado a clientes corporativos. Elaboramos um master plan em que o eixo principal de negócio é lazer e o excedente vendido para convenções. Este plano tem como âncora um parque aquático e um cinturão de resorts ao seu redor. São produtos de multipropriedades e voltado para famílias.


Em fase de Implantação há o master plan em Capitólio, um empreendimento em Minas Gerais e de grande dimensão. Compõe o projeto todo: um parque aquático; um parque aventuras e sete vilas de multipropriedades.


Outro bem impactante é o master plan do Acqualinda, em Andradina/SP. Trata-se da criação de um destino turístico com implantação muito robusta. Obras em estágio avançado de um parque aquático completo; um resort na entrada deste; e um Gran Lagoon de aproximadamente 27.000 m², que em sua orla serão implantadas quatro vilas de multipropriedades palafitadas e com aproximadamente 1.600 apartamentos.


Quais os maiores desafios em projetos de complexos turísticos?


Se tornar um destino turístico. Em se tratando de resort, que aqui no Brasil tem uma forte vocação para clientes famílias, deve ser completo. Ou seja, atividades e entretenimento para todas as faixas etárias. O desafio é calibrar a intensidade dessas atividades e a oportunidade de se implantar tudo de uma só vez. Nem sempre dá para se implantar dessa forma, pois resort é um produto muito complexo. Outro desafio importante é a operacionalidade deste resort.


Desenvolver um projeto com inteligência operacional significa otimização de custos, manutenção da margem operacional e, principalmente, proporcionar qualidade ao seu produto.


Qual o papel da arquitetura nos projetos? Normalmente o empreendedor já traz todo o master plan, ou a arquitetura ajuda nesta construção do projeto?


No nosso escritório, tem basicamente dois tipos de procura. Tem o empreendedor que já tem uma ideia pré-concebida e nos procura para desenvolvê-la. Sempre procuramos dar inputs que poderão agregar novos elementos na ideia original e criar sinergia no negócio. Normalmente o pessoal tem sido bem receptivo.


Outra situação são aquelas em que o empreendedor tem uma gleba, geralmente bem grandes, e nos procura para saber a vocação de negócios deste terreno. Nessas situações, primeiro procuramos nivelar o conceito de negócios e depois pensamos na arquitetura.


Como a pandemia pode influenciar no desenvolvimento e lançamentos de novos projetos de complexos turísticos?


Há bem pouco tempo eu tinha um sentimento mais pessimista sobre essa crise. Mas com o passar dos dias tenho sido procurado por empreendedores, que estão aproveitando o momento para se planejar melhor e sem a pressão do tempo. Está interessante e muito animador!

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